Pular para o conteúdo principal

Reflexão: Voz que Ecoa nos Séculos — Aletheia (Atos 1:8)

· 6 min para ler
Joana Jorge
Jornalista (FENAJ 13.715/SP) | Editora
Joana Jorge

ALETHEIA: Palavra grega, que significa VERDADE, o não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito. Sua marca é a evidência. Esta concepção recebe o nome da teoria da correspondência, isto é, as ideias correspondem à realidade tal qual ela é em si mesma.

"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, Judéia e até os confins da Terra." — Atos 1:8

Entre a Igreja secular e a Igreja de Cristo há um grande paradoxo que se completa no sistema temporal. Como crerão se não há quem pregue (Rm 10:14-15)? O Evangelho de Cristo chegou até nós através de sangrentas conquistas territoriais e resistências de fiéis que morreram por esta causa.

Focamos para a América Latina, porém sabemos que essa complexidade se alastra para outros continentes, ricos ou pobres, explorados ou exploradores, enfim a Terra geme. Em meio a esta crise pós-pandemias, superpopulação mundial, ingovernabilidades, catástrofes naturais, fome, miséria, os governos e cientistas sociais se movem para desenvolver a estabilidade social e governamental com sustentabilidade. E a Igreja, qual sua missão neste contexto?

Passemos a analisar a questão da Igreja pela visão teândrica: humana e divina.

O Filho do Homem​

"Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." — João 1:51

Há dois mil anos atrás, o "Filho do Homem" inaugurou seu ministério na Terra, divino e humano. Jesus é o fundador da Igreja. Foi Ele quem disse: onde estiverem dois ou três reunidos no meu Nome, ali eu estarei (Mt 18:20). Ele deu ordem aos discípulos e os capacitou: cumpriu a promessa do envio do Espírito Santo para realização do anúncio e vivência do Evangelho de libertação, restauração e transformação (Atos 1:8).

JESUS disse: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20). Essa declaração implica na continuidade da Igreja de ser testemunha na virtude do Espírito Santo através das gerações.

O Apóstolo Pedro em certa ocasião afirmou para Jesus: "TU ÉS O CRISTO, FILHO DO DEUS VIVO", e Jesus confirmou dizendo: "Não foi carne e nem sangue que o revelou e sobre esta Pedra fundarei minha Igreja" (Mateus 16:13-26).

A Igreja Divina e Humana​

Como humano, Jesus Cristo padeceu a morte e derramou seu sangue fazendo uma nova aliança entre Deus e a humanidade. Ele ressuscitou e isto faz a diferença. Sales comenta: "A Igreja nasce sob o anúncio da ressurreição de Jesus, que foi e é assunto perturbador" (p. 61). Também dizia: "A Fé é para todos".

Nos evangelhos encontramos os ensinamentos de Jesus na práxis: deu exemplos de inclusão social (prostitutas e publicanos), de convivência com diferentes classes sociais (samaritanos, pescadores e cobrador de impostos) e partidos políticos e eclesiásticos (fariseus, saduceus e zelotes); manifestou veementemente sua indignação à exploração religiosa no templo; contestou a hipocrisia religiosa dos fariseus e pela libertação de uma vida expôs ao prejuízo o comércio dos criadores de suínos.

O Autor da Vida chorou diante da morte de um amigo. Depois de saciar a alma dos ouvintes, milagrosamente multiplicou os pães. Jesus curou os doentes e libertou os oprimidos de alma. Na cruz, Jesus compadeceu de sua mãe sinalizando para seu discípulo João cuidar dela e disse para as mulheres: "Não chorem por mim."

Cumpriu a Lei divina e humana: foi apresentado no templo conforme costume do seu povo, batizado no rio Jordão, participava das festas, trabalhou como carpinteiro e como cidadão também pagou impostos (mesmo questionado quanto à legitimidade de se pagar imposto aos opressores do seu povo).

Jesus renunciou seus direitos por amor à humanidade.

Em Cristo não houve imperfeições, mas a Igreja consiste em homens imperfeitos e pecadores, os homens podem falhar. A teandricidade de Cristo é diferente da teandricidade da Igreja. A natureza humana pecaminosa não permite ao homem ser discípulo de Cristo a não ser pelo confronto, regeneração e santificação no poder do Espírito Santo, que permite dia a dia vencer a velha natureza, e se falhar, recorre-se ao Advogado junto ao Pai que garante o perdão.

Mas aqui cabe uma pergunta: se a maioria da população é cristã, por quê a degradação moral, a exploração, a violência e a desordem social imperam?

Antonio Sales comenta: "A realidade do novo nascimento pregado há séculos, persiste. No entanto, urge pregar no novo nascimento dessa sociedade que se diz cristã e se torna ateia ou idólatra em suas ações. Não são cristãs na prática" (p. 51).

Mobilização da Igreja​

Embora temos os sinais vitais da presença de Cristo no meio cristão, Antonio Sales afirma:

"A Igreja, no entanto, não é mero ajuntamento, ela precisa dispor de tudo o que Deus coloca ao seu alcance para realizar a sua missão, na dependência do poder do Espírito Santo. Na Igreja concretiza-se a plenitude dos tempos, a época do anúncio do Reino, de uma nova época, é a época da Igreja agir levando a verdadeira e única libertação aos homens" (p. 65).

O desafio da Igreja no contexto do século XXI é se mobilizar diante do estado caótico que se encontra a sociedade formada por indivíduos que são alvos do amor de Deus. A Igreja deve ser o sal e luz do mundo (Mt 5:13-16) conforme menciona Jesus nos Evangelhos.

Quando tratamos de mobilização da Igreja temos que considerar essa verdade: Efésios 4:1, I Coríntios 12, Romanos 12, nos ensina que há diversidade no Corpo de Cristo. Embora com atribuições diferentes, a soma delas é que forma a unidade espiritual, a Igreja de Cristo, da qual Ele é a cabeça.

O povo Latino-Americano, que recebeu o Cristianismo por imposição, apresenta uma fé espontânea que leva ao crescimento assustador dos fiéis, disputados pelas igrejas. Engana-se o Sistema que pensa que a Igreja de Cristo está morta. Jesus vive e através dos fiéis da sua Igreja espalhada na face da Terra — católicos, anglicanos, protestantes, pentecostais, neopentecostais, desigrejados e outros — vidas têm recebido a Salvação Eterna e libertas das discórdias, das doenças, dos vícios, das pobrezas, do desamor, pela Fé.

A unidade na diversidade: Isso é mandamento divino e é maravilhoso.

Joana Maria Jorge Silva