Reflexão: Voz que Ecoa nos Séculos — Aletheia (Atos 1:8)

ALETHEIA: Palavra grega, que significa VERDADE, o não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito. Sua marca é a evidência. Esta concepção recebe o nome da teoria da correspondência, isto é, as ideias correspondem à realidade tal qual ela é em si mesma.
"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, Judéia e até os confins da Terra." — Atos 1:8
Entre a Igreja secular e a Igreja de Cristo há um grande paradoxo que se completa no sistema temporal. Como crerão se não há quem pregue (Rm 10:14-15)? O Evangelho de Cristo chegou até nós através de sangrentas conquistas territoriais e resistências de fiéis que morreram por esta causa.
Focamos para a América Latina, porém sabemos que essa complexidade se alastra para outros continentes, ricos ou pobres, explorados ou exploradores, enfim a Terra geme. Em meio a esta crise pós-pandemias, superpopulação mundial, ingovernabilidades, catástrofes naturais, fome, miséria, os governos e cientistas sociais se movem para desenvolver a estabilidade social e governamental com sustentabilidade. E a Igreja, qual sua missão neste contexto?
Passemos a analisar a questão da Igreja pela visão teândrica: humana e divina.
O Filho do Homem
"Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." — João 1:51
Há dois mil anos atrás, o "Filho do Homem" inaugurou seu ministério na Terra, divino e humano. Jesus é o fundador da Igreja. Foi Ele quem disse: onde estiverem dois ou três reunidos no meu Nome, ali eu estarei (Mt 18:20). Ele deu ordem aos discípulos e os capacitou: cumpriu a promessa do envio do Espírito Santo para realização do anúncio e vivência do Evangelho de libertação, restauração e transformação (Atos 1:8).
JESUS disse: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20). Essa declaração implica na continuidade da Igreja de ser testemunha na virtude do Espírito Santo através das gerações.
O Apóstolo Pedro em certa ocasião afirmou para Jesus: "TU ÉS O CRISTO, FILHO DO DEUS VIVO", e Jesus confirmou dizendo: "Não foi carne e nem sangue que o revelou e sobre esta Pedra fundarei minha Igreja" (Mateus 16:13-26).
A Igreja Divina e Humana
Como humano, Jesus Cristo padeceu a morte e derramou seu sangue fazendo uma nova aliança entre Deus e a humanidade. Ele ressuscitou e isto faz a diferença. Sales comenta: "A Igreja nasce sob o anúncio da ressurreição de Jesus, que foi e é assunto perturbador" (p. 61). Também dizia: "A Fé é para todos".
Nos evangelhos encontramos os ensinamentos de Jesus na práxis: deu exemplos de inclusão social (prostitutas e publicanos), de convivência com diferentes classes sociais (samaritanos, pescadores e cobrador de impostos) e partidos políticos e eclesiásticos (fariseus, saduceus e zelotes); manifestou veementemente sua indignação à exploração religiosa no templo; contestou a hipocrisia religiosa dos fariseus e pela libertação de uma vida expôs ao prejuízo o comércio dos criadores de suínos.
O Autor da Vida chorou diante da morte de um amigo. Depois de saciar a alma dos ouvintes, milagrosamente multiplicou os pães. Jesus curou os doentes e libertou os oprimidos de alma. Na cruz, Jesus compadeceu de sua mãe sinalizando para seu discípulo João cuidar dela e disse para as mulheres: "Não chorem por mim."
Cumpriu a Lei divina e humana: foi apresentado no templo conforme costume do seu povo, batizado no rio Jordão, participava das festas, trabalhou como carpinteiro e como cidadão também pagou impostos (mesmo questionado quanto à legitimidade de se pagar imposto aos opressores do seu povo).
Jesus renunciou seus direitos por amor à humanidade.
Em Cristo não houve imperfeições, mas a Igreja consiste em homens imperfeitos e pecadores, os homens podem falhar. A teandricidade de Cristo é diferente da teandricidade da Igreja. A natureza humana pecaminosa não permite ao homem ser discípulo de Cristo a não ser pelo confronto, regeneração e santificação no poder do Espírito Santo, que permite dia a dia vencer a velha natureza, e se falhar, recorre-se ao Advogado junto ao Pai que garante o perdão.
Mas aqui cabe uma pergunta: se a maioria da população é cristã, por quê a degradação moral, a exploração, a violência e a desordem social imperam?
Antonio Sales comenta: "A realidade do novo nascimento pregado há séculos, persiste. No entanto, urge pregar no novo nascimento dessa sociedade que se diz cristã e se torna ateia ou idólatra em suas ações. Não são cristãs na prática" (p. 51).
Mobilização da Igreja
Embora temos os sinais vitais da presença de Cristo no meio cristão, Antonio Sales afirma:
"A Igreja, no entanto, não é mero ajuntamento, ela precisa dispor de tudo o que Deus coloca ao seu alcance para realizar a sua missão, na dependência do poder do Espírito Santo. Na Igreja concretiza-se a plenitude dos tempos, a época do anúncio do Reino, de uma nova época, é a época da Igreja agir levando a verdadeira e única libertação aos homens" (p. 65).
O desafio da Igreja no contexto do século XXI é se mobilizar diante do estado caótico que se encontra a sociedade formada por indivíduos que são alvos do amor de Deus. A Igreja deve ser o sal e luz do mundo (Mt 5:13-16) conforme menciona Jesus nos Evangelhos.
Quando tratamos de mobilização da Igreja temos que considerar essa verdade: Efésios 4:1, I Coríntios 12, Romanos 12, nos ensina que há diversidade no Corpo de Cristo. Embora com atribuições diferentes, a soma delas é que forma a unidade espiritual, a Igreja de Cristo, da qual Ele é a cabeça.
O povo Latino-Americano, que recebeu o Cristianismo por imposição, apresenta uma fé espontânea que leva ao crescimento assustador dos fiéis, disputados pelas igrejas. Engana-se o Sistema que pensa que a Igreja de Cristo está morta. Jesus vive e através dos fiéis da sua Igreja espalhada na face da Terra — católicos, anglicanos, protestantes, pentecostais, neopentecostais, desigrejados e outros — vidas têm recebido a Salvação Eterna e libertas das discórdias, das doenças, dos vícios, das pobrezas, do desamor, pela Fé.
A unidade na diversidade: Isso é mandamento divino e é maravilhoso.
Joana Maria Jorge Silva
